Terceira edição do levantamento, feito com o IBGE, vai visitar cerca de 140 mil domicílios até novembro para mapear doenças crônicas no país
Uma dúvida comum entre quem ouve falar de pesquisas domiciliares de saúde é: para que servem esses dados e como eles podem, de fato, mudar o atendimento no SUS. A resposta está na nova edição da Pesquisa Nacional de Saúde, que começou a ser aplicada em domicílios de todo o país neste mês de julho e traz uma novidade importante em relação às edições anteriores.
O que muda nesta edição da pesquisa
O Ministério da Saúde e o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística realizam a terceira edição da Pesquisa Nacional de Saúde, com coleta de dados prevista até 30 de novembro de 2026. A grande novidade é que, pela primeira vez, o levantamento vai incluir exames de sangue e de urina em parte da amostra domiciliar, o que deve permitir diagnósticos mais precisos sobre a real prevalência de doenças crônicas na população, muitas vezes subnotificadas quando o dado depende apenas da resposta declarada pelo entrevistado. Ministério da SaúdeMinistério da Saúde
Nesta edição, cerca de 140 mil domicílios serão visitados em todo o território nacional, o que garante uma amostra estatisticamente representativa das diferentes regiões e perfis socioeconômicos do país. A coleta e a análise das amostras biológicas contam com apoio do Hospital Israelita Albert Einstein, por meio do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do SUS. Essa parceria entre o setor público e uma instituição de referência em pesquisa clínica é vista como um diferencial para garantir a qualidade técnica dos resultados. Ministério da SaúdeMinistério da Saúde
Por que os dados da pesquisa importam para a gestão do SUS
Os resultados da pesquisa vão subsidiar estudos sobre a situação de saúde do país e permitir a produção de indicadores ligados a doenças crônicas e outros agravos de saúde. Isso significa, na prática, que os dados coletados hoje devem orientar decisões futuras sobre onde investir em atenção primária, quais campanhas de prevenção priorizar e como distribuir recursos entre estados e municípios nos próximos anos. Ministério da Saúde
Esse tipo de levantamento também ajuda a entender questões que vão além do diagnóstico clínico, como o acesso da população aos serviços de saúde, os hábitos de vida e os determinantes sociais que influenciam o adoecimento, como renda, escolaridade e condições de moradia. Para gestores municipais, os dados da pesquisa costumam servir de base para justificar pedidos de recursos federais e para calibrar programas locais de atenção básica, especialmente em regiões com menor cobertura de exames laboratoriais.
O contexto de outros investimentos em saúde pública
A pesquisa acontece em um momento de reforço de investimentos no SUS. O governo federal anunciou recentemente uma entrega de cerca de R$ 3,95 bilhões em investimentos para fortalecer o sistema, com mais de 500 entregas e anúncios voltados a ampliar o acesso da população aos serviços de saúde em diferentes regiões do país. Entre as iniciativas está a assinatura de ordens de serviço para construção de novas unidades, incluindo uma maternidade em Sinop, no Mato Grosso. Ministério da Saúde
Também está em curso a preparação do sistema de saúde para eventos climáticos extremos ligados ao El Niño, com uma série de encontros regionais reunindo gestores estaduais e municipais, especialistas e representantes de defesa civil ao longo de julho, já que fenômenos como ondas de calor e enchentes tendem a aumentar a demanda por atendimento em doenças respiratórias e transmitidas por vetores. A combinação entre dados epidemiológicos mais precisos e investimento em infraestrutura é apontada por gestores como o caminho para reduzir vazios assistenciais no país.
A expectativa é que os primeiros resultados parciais da Pesquisa Nacional de Saúde comecem a ser divulgados ao longo de 2027, à medida que a coleta avança pelas diferentes regiões. Até lá, cabe à população colaborar quando for procurada pelos agentes do IBGE, já que a qualidade da amostra depende diretamente da adesão dos domicílios sorteados. É importante reforçar que qualquer dúvida sobre sintomas ou condições de saúde deve ser sempre esclarecida diretamente com um médico ou profissional de saúde habilitado, e não a partir de dados estatísticos gerais como os desta pesquisa.
Fontes: Ministério da Saúde | Ministério da Saúde
