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Tecnologia

A Era dos Resultados: Como a Tecnologia Passa a Cobrar o que Prometeu

Viktor Moraven
Por Viktor Moraven 29/06/2026
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9 Min de leitura
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Por anos, a inteligência artificial foi apresentada ao mundo corporativo como uma promessa transformadora, revolucionária, capaz de mudar tudo. Em 2026, a promessa chegou ao prazo de vencimento, e agora é hora de prestar contas. Empresas brasileiras que investiram em projetos de IA nos últimos três a quatro anos se dividem entre aquelas que conseguiram traduzir o entusiasmo inicial em ganhos concretos de eficiência, redução de custos e criação de novos produtos, e aquelas que acumularam pilotos bonitos em apresentações de PowerPoint mas não conseguiram escalar para operações reais. Essa divergência de resultados está redesenhando o mercado de consultoria, tecnologia e talentos digitais no Brasil, com consequências que vão muito além do setor de TI.

Contents
HBM5 e a Revolução Silenciosa dos Chips de Alta PerformanceComputação Quântica: O Salto além do SilícioTransformação Digital no Brasil: Do Discurso à OperaçãoChina, PIB Digital e o Novo Eixo do Crescimento Econômico Global

O momento atual da IA no Brasil é marcado por uma dupla pressão: de um lado, o avanço acelerado dos modelos globais, que chegam ao mercado com capacidades que superam o que era possível imaginado dois anos atrás; de outro, a urgência das empresas em encontrar casos de uso que justifiquem os investimentos realizados e convençam conselhos de administração céticos de que a inteligência artificial não é apenas mais uma onda tecnológica passageira. Nesse ambiente, os profissionais mais valorizados não são os pesquisadores de ponta que publicam artigos em conferências internacionais, mas os engenheiros de implementação e os gestores de produto capazes de conectar capacidade técnica a necessidade de negócio real.

HBM5 e a Revolução Silenciosa dos Chips de Alta Performance

Por baixo dos grandes modelos de linguagem e dos sistemas de visão computacional que chegam às manchetes, existe uma infraestrutura de hardware que raramente ganha atenção pública mas que é absolutamente determinante para o desenvolvimento da IA. A tecnologia HBM5, apresentada pela Samsung em 2026, representa um salto qualitativo na arquitetura de memória de alta largura de banda que alimenta os chips de inteligência artificial mais exigentes. Com uma nova abordagem para o gerenciamento térmico um dos principais gargalos no desempenho de processadores de última geração o HBM5 promete viabilizar modelos de IA ainda mais complexos sem o aumento proporcional de consumo energético que tornaria tais sistemas economicamente inviáveis.

A disputa pelo domínio da cadeia de suprimentos de semicondutores avançados tornou-se uma das fronteiras mais quentes da geopolítica tecnológica global. Os Estados Unidos, a China, a Coreia do Sul, Taiwan e agora a Europa investem trilhões para garantir posição nessa cadeia. O Brasil, que historicamente ficou fora dessa disputa por falta de política industrial consistente, começa a perceber que a dependência total de hardware estrangeiro representa uma vulnerabilidade estratégica séria. As discussões sobre como o país poderia ao menos ocupar nichos na cadeia de valor dos semicondutores seja no design de chips específicos para aplicações agrícolas ou ambientais, seja na formação de mão de obra especializada ganham urgência à medida que a disputa global se intensifica.

Computação Quântica: O Salto além do Silício

A computação quântica deixou definitivamente o território da ficção científica e começa a produzir resultados verificáveis em laboratórios e, progressivamente, em aplicações comerciais específicas. O avanço dos processadores quânticos para dimensões espaciais elevadas operando com qubits em configurações tridimensionais que aumentam exponencialmente a capacidade de processamento de certos tipos de problema abriu perspectivas concretas para aplicações em simulação molecular, otimização logística, criptografia e descoberta de novos materiais. Embora o computador quântico de propósito geral ainda seja uma perspectiva de médio prazo, as máquinas quânticas especializadas já começam a competir com supercomputadores clássicos em problemas específicos.

Para o Brasil, o impacto potencial da computação quântica é especialmente relevante em áreas como desenvolvimento de novos agroquímicos e biossensores para o agronegócio, simulação climática de alta resolução para monitoramento de biomas, otimização de rotas logísticas na complexa malha de distribuição nacional e desenvolvimento de novos materiais para energia renovável. O país tem hoje um número ainda pequeno, mas crescente, de grupos de pesquisa dedicados ao tema, majoritariamente em universidades federais e institutos de pesquisa como o INPE e a Embrapa. O desafio é criar pontes efetivas entre essa pesquisa de fronteira e as demandas do setor produtivo, transformando conhecimento científico em vantagem competitiva real.

Transformação Digital no Brasil: Do Discurso à Operação

O FIND 2026, maior fórum de inteligência artificial e indústria digital do país realizado em São Paulo, consolidou-se como o espaço por excelência onde o Brasil debate sua estratégia de transformação tecnológica. Entre os temas que dominaram as discussões este ano, destaca-se a tensão entre a adoção acelerada de ferramentas de IA generativa que promete ganhos de produtividade expressivos e os riscos de dependência de poucas plataformas globais, majoritariamente americanas, para funções críticas de negócios e de governo. A discussão sobre soberania tecnológica, que há alguns anos soava excessivamente ideológica para alguns participantes do ecossistema, ganhou uma dimensão pragmática concreta à medida que os custos das plataformas estrangeiras sobem e as condições de acesso mudam de acordo com pressões geopolíticas externas.

A transformação digital das pequenas e médias empresas brasileiras, que representam mais de noventa por cento do tecido empresarial nacional e são responsáveis pela maior parte dos empregos formais, permanece como um dos grandes desafios do ecossistema tecnológico. Enquanto as grandes corporações contratam equipes inteiras de engenharia de dados e ciência de dados, as PMEs frequentemente não têm nem o capital nem o conhecimento para identificar quais ferramentas digitais fariam mais diferença em seu negócio específico. Programas governamentais de capacitação digital, iniciativas de extensão universitária e o surgimento de consultorias especializadas em PMEs são tentativas de endereçar esse gap, com resultados ainda modestos mas promissores.

China, PIB Digital e o Novo Eixo do Crescimento Econômico Global

A economia chinesa em 2026 oferece uma lição fascinante sobre a capacidade de uma grande potência de reinventar seu modelo de crescimento em tempo relativamente curto. Após décadas de expansão baseada em exportações industriais e investimento em infraestrutura física, a China está construindo um segundo eixo de crescimento sustentado por serviços digitais, consumo doméstico e inovação tecnológica. O peso do e-commerce, das fintechs, dos serviços de streaming, das plataformas de entrega e da economia de criadores de conteúdo no PIB chinês cresceu de forma expressiva, compensando parcialmente a desaceleração do setor imobiliário e da manufatura tradicional.

Para o Brasil, a trajetória chinesa oferece tanto inspiração quanto alerta. A escala e a velocidade com que a China conseguiu construir gigantes tecnológicos nacionais capturar mercados globais decorrem em parte de uma estratégia deliberada de proteção do mercado doméstico, subsídio público a empresas-chave e investimento massivo em educação científica e tecnológica. Replicar esse modelo integralmente seria inviável e indesejável num país com a estrutura política e econômica do Brasil. Mas extrair lições sobre a importância de uma política industrial ativa, de mercados públicos como âncoras de demanda para empresas inovadoras nascentes e de investimento em capital humano tecnológico é não apenas possível como urgente para qualquer estratégia de desenvolvimento econômico que leve o futuro digital a sério.

Fontes originais:

  • https://folhao.com.br/tecnologia/inteligencia-artificial-deixa-de-ser-promessa-e-passa-a-cobrar-resultados-das-empresas-brasileiras
  • https://folhao.com.br/tecnologia/tecnologia-hbm5-da-samsung-como-a-nova-arquitetura-termica-pode-redefinir-o-desempenho-de-chips-de-alta-performance
  • https://folhao.com.br/tecnologia/computadores-quanticos-em-dimensoes-elevadas-avanco-da-computacao-quantica-e-o-novo-salto-da-tecnologia
  • https://folhao.com.br/tecnologia/inteligencia-artificial-e-industria-digital-como-o-find-2026-redefine-o-futuro-da-transformacao-tecnologica
  • https://folhao.com.br/tecnologia/pib-da-china-em-2026-servicos-digitais-e-consumo-consolidam-novo-eixo-de-crescimento-economico
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