Com investimentos de R$ 23 bilhões previstos até 2028 e 100% das grandes empresas já usando IA, o Brasil entra em uma fase decisiva da transformação digital
Durante anos, a inteligência artificial foi tratada como o futuro. Em 2026, ela já é o presente, com a diferença de que o presente cobra resultado. A era dos projetos piloto e das demonstrações em eventos corporativos chegou ao fim. O que as empresas, o governo e os profissionais do país precisam entregar agora é algo mais concreto: soluções que funcionem, processos mais eficientes e uma cadeia de valor que justifique os bilhões investidos em tecnologia.
A inteligência artificial entra em 2026 em um novo estágio de maturidade, deixando o deslumbramento inicial para assumir um papel mais pragmático: entregar resultados mensuráveis. Em vez de experimentos isolados, a IA tende a se integrar aos fluxos reais de trabalho, influenciando decisões, automatizando processos e reduzindo custos de forma silenciosa. Esse movimento já é perceptível em setores como finanças, saúde, agronegócio e varejo. TechTudo
Brasil investe, mas ainda enfrenta gaps
O país não está parado. O Brasil conta com um Plano Brasileiro de Inteligência Artificial que prevê investimentos de R$ 23 bilhões até 2028. Enquanto isso, relatórios da ONU projetam que o mercado global de IA deve atingir US$ 4,8 trilhões até 2033. O tamanho do investimento nacional parece expressivo isoladamente, mas quando comparado ao ritmo de EUA e China, revela que o Brasil ainda precisa correr para não perder a janela de oportunidade. Alura
A pesquisa da KPMG apresenta um retrato interessante do mercado corporativo. 100% das empresas brasileiras entrevistadas no estudo KPMG Global Tech Report 2026 informam ter implementado automação e IA, incluindo a agêntica. Contudo, 45% dos executivos brasileiros admitem que há múltiplos projetos operando de maneira desconectada, em vez de plataformas integradas. Isso revela uma contradição típica de momentos de transição: todo mundo está usando IA, mas poucos sabem exatamente como tirar o máximo dela. kpmg
Empresas brasileiras se destacam no uso estratégico
Um dado da Deloitte chama atenção no contexto global. 42% das empresas brasileiras relatam empregar IA de forma transformadora, índice superior ao de muitas economias desenvolvidas, sugerindo que o Brasil está usando a tecnologia de forma mais estratégica do que a média. Esse desempenho está ligado, em parte, ao fato de que empresas nacionais precisam fazer mais com menos, o que as estimula a buscar eficiência real em vez de simplesmente adotar tecnologia como status. Deloitte
O setor financeiro lidera em adoção, com bancos e fintechs que já utilizam IA para análise de crédito, detecção de fraudes e atendimento automatizado. O agronegócio avança com ferramentas de previsão de safra, monitoramento de solo e otimização de logística. A saúde, por sua vez, está investindo em diagnóstico assistido por IA e triagem de pacientes, especialmente em contextos onde há escassez de médicos.
O déficit de talentos e o desafio regulatório
Nem tudo são boas notícias. Apesar da expansão da tecnologia, o Brasil ainda enfrenta um déficit significativo de profissionais capacitados em inteligência artificial, e a pressão por transparência no funcionamento dos algoritmos tende a crescer, com regulações mais claras esperadas nos próximos anos para equilibrar inovação e proteção de direitos. TechTudo
O debate ético também ganha espaço. Questões como viés algorítmico, uso de dados pessoais sem consentimento adequado e automação que elimina postos de trabalho exigem respostas que a tecnologia, por si só, não oferece. O Brasil ainda carece de um marco regulatório específico para IA, à semelhança do que a União Europeia construiu com o AI Act. Enquanto essa regulação não chega de forma clara e aplicável, as empresas operam em um ambiente de incerteza jurídica que pode travar investimentos mais ousados.
O país está em um momento de definição. As ferramentas existem, o investimento está chegando e os casos de uso já se multiplicam pelo mercado. O próximo passo é formar gente, criar regras claras e garantir que os benefícios da IA não fiquem concentrados apenas nas grandes corporações, mas cheguem também às pequenas empresas e ao serviço público.
Fontes: Alura | Deloitte Brasil | KPMG | TechTudo
Autor: Diego Rodríguez Velázquez
