O número de municípios brasileiros classificados em situação de seca severa ou extrema aumentou de 157 para 276 entre agosto e setembro de 2026. O crescimento de 75,8% foi identificado pelo Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) a partir do Índice Integrado de Seca de três meses, conhecido como IIS-3.
O boletim do órgão, divulgado em 2 de outubro e atualizado em 7 de outubro, mostra que a piora se concentrou principalmente no Nordeste, mas também alcançou áreas da Região Norte. A persistência do fenômeno amplia a necessidade de acompanhamento sobre abastecimento, produção agropecuária, reservatórios e condições de vida em comunidades rurais e indígenas.
Nordeste concentra os casos mais intensos
Dos 51 municípios que passaram a ser classificados em seca extrema em setembro, 50 estão em Alagoas, Sergipe e no norte da Bahia. Alagoas registrou a maior mudança no período: o número de municípios em condição severa ou extrema subiu de 35, em agosto, para 82 no mês seguinte.
Pernambuco também passou a integrar o grupo de estados afetados pelas duas categorias mais intensas. O estado não tinha municípios classificados como severos ou extremos em agosto e registrou 14 casos em setembro. Os dados indicam uma alteração rápida na distribuição territorial da seca, especialmente no Nordeste.
A classificação usada pelo Cemaden organiza a intensidade da seca em diferentes níveis, entre eles moderada, severa e extrema. As categorias mais graves representam uma combinação de déficit de chuvas e efeitos associados ao comportamento hidrológico, com potencial de pressionar o uso da água e as atividades dependentes de condições regulares de umidade.
Roraima e Amazonas também registram piora
Na Região Norte, Roraima passou de três para 11 municípios classificados em seca severa entre agosto e setembro. No Amazonas, o número cresceu de quatro para 13 no mesmo intervalo. O avanço mostra que o fenômeno não ficou restrito ao semiárido nordestino e alcançou diferentes áreas do território nacional.
O Cemaden informa ainda que 262 dos 276 municípios em situação severa ou extrema enfrentam algum nível de seca desde julho. A permanência por pelo menos três meses consecutivos é um indicador de que o problema não se limita a uma alteração pontual nas condições meteorológicas, mas envolve um déficit hídrico persistente.
Esse cenário pode dificultar o planejamento de administrações públicas, empresas de abastecimento e produtores rurais. Os efeitos concretos, no entanto, variam conforme as características de cada município, a disponibilidade de reservatórios, a infraestrutura local e a capacidade de atendimento das populações afetadas.
Impactos alcançam áreas indígenas e assentamentos
O monitoramento também considera territórios e grupos acompanhados por políticas públicas específicas. Em setembro, 170 dos 275 polos-base indígenas monitorados apresentaram algum nível de seca. Entre os assentamentos analisados, 3.414 de um total de 7.289 registraram a ocorrência.
Os números não significam que todos esses locais estejam submetidos à mesma intensidade ou aos mesmos impactos. Eles indicam, conforme a metodologia do boletim, a presença de alguma condição de seca nas áreas monitoradas. Em comunidades que dependem de fontes locais, a evolução do quadro pode exigir atenção a transporte de água, produção de alimentos e deslocamento de moradores.
A situação também é relevante para a gestão de reservatórios e para atividades como agricultura, pecuária e navegação. O boletim do Cemaden apresenta um diagnóstico de monitoramento, mas não estima, nos dados citados, perdas econômicas específicas, interrupções de abastecimento ou alterações nos preços de produtos.
Como acompanhar a evolução da seca
O Cemaden disponibiliza a Plataforma Alerta-Secas, que permite consultar a situação de municípios brasileiros ao longo dos últimos cinco anos. A ferramenta ajuda a observar a continuidade ou a mudança das categorias de seca em diferentes períodos e localidades.
Outra referência oficial é o Monitor de Secas da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA). O sistema reúne informações hidrometeorológicas de instituições federais e estaduais para acompanhar a evolução do fenômeno no país.
Segundo o Cemaden, os dados de setembro devem ser interpretados em conjunto com a série histórica recente e com as condições locais. A combinação entre monitoramento nacional e informações dos estados é essencial para orientar ações de prevenção e resposta diante da persistência da seca.
