Na margem bresciana do Lago di Garda, a influência do lago e das montanhas permite uma tradição olivícola secular. O Garda DOP, reconhecido desde 1997, é produzido a partir de variedades como Casaliva, Frantoio e Leccino
Na margem ocidental do Lago di Garda, oliveiras ocupam encostas que, à primeira vista, parecem distantes das paisagens normalmente associadas ao cultivo mediterrâneo. A grande massa de água, combinada à proteção das montanhas ao redor, ajuda a criar um clima mais ameno e ventilado, condição que favorece há séculos a presença da oliveira nessa área do norte da Itália.
É nesse território que se produz o Garda DOP, denominação reconhecida em 1997 e dividida em diferentes áreas geográficas. Na zona bresciana, Casaliva, Frantoio e Leccino estão entre as principais variedades previstas pelo regulamento. Antonella Giancoli, responsável pela curadoria italiana da Benarrivati, inclui visitas a produtores e frantoi da região justamente porque elas permitem observar como clima, cultivo e transformação do fruto estão ligados à paisagem do lago.
Um azeite ligado ao microclima do Garda
A oliveira encontra no entorno do lago condições particulares para se desenvolver. O clima recebe forte influência da água e da configuração das colinas e montanhas, suavizando temperaturas e criando um ambiente favorável a uma cultura agrícola que permanece incomum em latitudes tão ao norte dentro da Itália.
O resultado é um azeite descrito pelo próprio Consorzio di Tutela como delicado e equilibrado, com aromas que remetem à oliva fresca e notas amargas e picantes geralmente contidas, além do característico retrogosto de amêndoa.
Na margem de Brescia, a produção pode receber a indicação geográfica adicional Garda Bresciano DOP, desde que respeite as regras específicas de origem e composição estabelecidas pelo disciplinar.
Por que a Benarrivati inclui os frantoi no roteiro
Para Antonella, visitar um frantoio ajuda a transformar um produto presente diariamente à mesa em uma leitura mais ampla do território.
“O azeite do Garda surpreende justamente porque muita gente não espera encontrar uma tradição olivícola tão consolidada nessa parte do norte da Itália. Quando a família visita um frantoio, conhece as variedades cultivadas e entende como o lago interfere nas condições da região, o azeite deixa de ser apenas um produto e passa a contar também a geografia do lugar”, explica Antonella Giancoli.
Há produtores na província de Brescia que recebem visitantes para conhecer o processo e realizar degustações de Garda Bresciano DOP, inclusive em San Felice del Benaco, onde também funciona uma representação do consórcio responsável pela denominação.
Da colheita à extração
A produção do Garda DOP segue regras específicas. As azeitonas devem ser colhidas diretamente da planta, manualmente ou com auxílio mecânico, e transformadas dentro da área delimitada pela denominação.
No frantoio, são admitidos apenas processos mecânicos e físicos capazes de preservar as características do fruto. Isso significa que não existe uma obrigação de manter antigas prensas tradicionais: diferentes sistemas contemporâneos podem ser empregados desde que cumpram as exigências do disciplinar.
A visita permite acompanhar justamente essa passagem da azeitona ao azeite e perceber diferenças de aroma, intensidade e textura que ficam mais claras quando o produto é degustado no próprio território de origem.
Uma tradição agrícola às margens do lago
O Garda DOP não pertence apenas à província de Brescia. Sua área de produção se distribui pelas margens do lago e alcança territórios de Lombardia, Veneto e Trentino-Alto Adige, nas províncias de Brescia, Mantova, Verona e Trento.
Nos roteiros da Benarrivati, Antonella Giancoli trata a passagem pelos frantoi da margem bresciana como complemento à paisagem do Lago di Garda. Entre oliveiras, produtores e degustações, a experiência mostra como um microclima particular permitiu que uma cultura normalmente associada a regiões mais meridionais se tornasse parte da identidade agrícola desse trecho do norte da Itália.
Sobre a Benarrivati
Fundada e liderada por Antonella Giancoli, a Benarrivati é uma holding de viagens de alto padrão especializada em desenhar jornadas sob medida pelo solo europeu e africano. Com operação própria e equipes de concierges locais, a companhia elimina intermediários para garantir segurança jurídica, transparência financeira e discrição inegociável em cada etapa da experiência. Pautada pela ética do relacionamento e pela valorização do tempo, a Benarrivati transforma a hospedagem em propriedades privadas em uma forma de preservar memórias e legados familiares.
