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Cesta básica cai em 25 capitais em agosto, mas preço ainda pesa no bolso do brasileiro

Viktor Moraven
Por Viktor Moraven 11/09/2026
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8 Min de leitura
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Queda mensal trouxe alívio em quase todo o país, mas comparação anual mostra que alimentação continua exigindo atenção das famílias.

Contents
Por que a cesta básica ficou mais barata em agostoSão Paulo continua com a cesta mais cara do paísO que o resultado significa para o orçamento das famílias

A cesta básica ficou mais barata em 25 das 27 capitais brasileiras em agosto, segundo levantamento divulgado pelo Dieese em parceria com a Conab. O resultado chama atenção porque ocorre em um período no qual o custo da alimentação continua sendo uma das principais preocupações dos consumidores e das famílias de menor renda. As únicas capitais onde houve aumento foram Maceió, com alta de 1,43%, e São Luís, com avanço de 0,78%.

Apesar da queda em relação a julho, o cenário precisa ser interpretado com cuidado. Na comparação com agosto de 2025, o valor da cesta aumentou em 25 capitais, enquanto apenas Brasília e Palmas registraram redução. Isso significa que a melhora observada no mês não representa necessariamente uma reversão completa da pressão sobre o orçamento doméstico. Para o consumidor, a principal dúvida passa a ser entender quais produtos ficaram mais baratos, onde a cesta continua mais cara e o que os números indicam para os próximos meses.

Por que a cesta básica ficou mais barata em agosto

A queda registrada em agosto foi influenciada principalmente por alguns alimentos que tiveram redução de preços em diferentes regiões do país. A batata foi um dos destaques, com recuo em todas as cidades do Centro-Sul pesquisadas, enquanto o café em pó ficou mais barato em 23 capitais. Tomate e feijão também contribuíram para diminuir o custo médio da cesta em boa parte das cidades.

O movimento, entretanto, não foi uniforme entre todos os produtos. Pão francês, óleo de soja, leite integral e arroz agulhinha apresentaram aumento na maior parte das capitais analisadas, mostrando que uma cesta mais barata não significa que todos os itens estejam em trajetória de queda. Esse detalhe é importante para quem faz compras mensais, porque a composição do gasto de cada família pode ser bastante diferente daquela utilizada na pesquisa. Em outras palavras, o consumidor pode perceber uma redução menor ou até não sentir queda dependendo dos alimentos que mais coloca no carrinho.

Entre as capitais, as maiores reduções mensais foram observadas em Rio Branco, com queda de 4,68%, Manaus, com 4,55%, Boa Vista, com 4,47%, Aracaju, com 3,89%, Cuiabá, com 3,37%, e Salvador, com 3,30%. Já Maceió e São Luís ficaram na direção oposta, registrando aumentos no período.

São Paulo continua com a cesta mais cara do país

Mesmo com a queda registrada em diversas regiões, São Paulo manteve em agosto a posição de capital com a cesta básica mais cara entre as cidades pesquisadas. O custo médio chegou a R$ 900,59, seguido por Cuiabá, com R$ 851,57, Rio de Janeiro, com R$ 851,19, e Florianópolis, com R$ 850,90. Na outra ponta, Aracaju apresentou o menor valor médio, de R$ 570,98, seguida por Natal, Maceió e Salvador.

A diferença entre as capitais mostra como o preço dos alimentos pode variar de acordo com fatores regionais, logística, produção, oferta e composição da própria cesta. Por isso, não é possível transformar o resultado nacional em uma regra para todos os consumidores. Quem mora em São Paulo, por exemplo, continua enfrentando um custo de alimentação básica significativamente superior ao observado em várias capitais do Norte e Nordeste.

Outro ponto relevante aparece na comparação com o mesmo mês do ano anterior. Embora a cesta tenha ficado mais barata em 25 capitais na passagem de julho para agosto, houve aumento acumulado em 25 cidades quando agosto de 2026 é comparado a agosto de 2025. As maiores altas anuais foram registradas em Goiânia, de 7,51%, Cuiabá, de 6,42%, e Vitória, de 6,26%. Brasília teve queda de 0,64% e Palmas, de 0,27%.

O que o resultado significa para o orçamento das famílias

O principal significado dos dados é que existe algum alívio no curto prazo, mas ainda não há motivo para considerar resolvido o problema do custo da alimentação. A queda mensal pode ajudar famílias que conseguiram aproveitar preços menores de produtos importantes, principalmente aqueles que tiveram redução mais disseminada. Ao mesmo tempo, os aumentos de outros alimentos mostram que o orçamento continua sujeito a mudanças rápidas nos supermercados.

A própria estimativa do Dieese ajuda a dimensionar essa diferença. Considerando a cesta mais cara, registrada em São Paulo, o departamento estimou que o salário-mínimo necessário para atender às despesas essenciais de uma família deveria chegar a R$ 7.565,86, valor muito superior ao salário-mínimo oficial de R$ 1.621,00 informado no levantamento. A estimativa considera não apenas alimentação, mas também despesas como moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e previdência.

O cenário também precisa ser observado junto com outros indicadores da economia. Dados recentes do IBGE mostram que o setor de serviços permaneceu estável em julho, enquanto acumulou crescimento de 2,4% em 12 meses, indicando uma economia que continua funcionando, mas com sinais de desaceleração em algumas áreas. Para o cidadão, a combinação entre preços dos alimentos, renda, emprego e atividade econômica é mais importante do que olhar isoladamente para uma única pesquisa.

A queda da cesta básica em agosto, portanto, representa uma notícia positiva, mas ainda parcial. O consumidor deve observar não apenas o preço médio nacional, mas também a evolução dos produtos que realmente fazem parte de sua rotina. Se batata, café, tomate e feijão ficaram mais baratos, por exemplo, isso pode aliviar parte da conta, mas aumentos em arroz, leite, pão e óleo podem limitar o efeito final no orçamento.

Os números divulgados nesta semana reforçam uma mensagem simples: a alimentação ficou mais barata na comparação mensal em quase todo o país, mas continua sendo uma despesa pesada para milhões de brasileiros. A comparação anual mostra que a pressão acumulada ainda não desapareceu, e as diferenças entre capitais revelam que o custo de vida permanece bastante desigual.

Para acompanhar o cenário, o indicador mais útil será observar os próximos levantamentos e verificar se a queda de agosto se mantém ou se foi apenas uma oscilação pontual. Enquanto isso, os dados ajudam o consumidor a entender por que alguns produtos estão recuando enquanto outros continuam subindo. Mais do que uma simples queda de preços em um mês, o que está em jogo é a capacidade das famílias de transformar renda em alimentação, moradia e demais necessidades básicas ao longo do tempo.

Fontes:

  • Agência Brasil — Cesta básica ficou mais barata em 25 capitais em agosto
  • DIEESE — Custo da cesta básica diminui em 25 capitais
  • DIEESE — Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos
  • IBGE — Estatísticas de preços ao consumidor
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