Com IPCA acumulando 4,72% nos últimos 12 meses e Selic em 13% ao ano, o desafio de equilibrar crescimento e controle de preços segue sem solução fácil
Quem vai ao supermercado, abastece o carro ou paga a fatura do cartão sabe que os preços não estão em paz. Em 2026, a economia brasileira convive com uma inflação que teima em flutuar na fronteira da meta e com juros que, embora em trajetória de queda, ainda pesam no bolso de quem precisa de crédito. O cenário exige atenção, especialmente para famílias de renda média, que sentem o aperto sem ter acesso aos benefícios sociais voltados às camadas mais baixas.
O IPCA acumulado nos últimos 12 meses está em 4,72%, enquanto o acumulado no ano de 2026, até o momento, é de 3,20%. O índice de 2025 fechou em 4,26%. Na prática, isso significa que os preços subiram de forma contínua nos últimos anos, corroendo o poder de compra especialmente nos grupos de alimentos, bebidas e transportes, que historicamente lideram as altas. Investidor10
A Selic alta e seus efeitos no dia a dia
A taxa básica de juros é o principal instrumento do Banco Central para controlar a inflação, mas tem um custo elevado: crédito mais caro, financiamentos mais longos e consumo mais reprimido. Segundo o Boletim Focus, a estimativa dos analistas de mercado para a Selic até o fim de 2026 é de 13% ao ano. Para 2027 e 2028, a previsão é que a taxa seja reduzida para 11,25% e 10% ao ano, respectivamente. Agência Brasil
Esse nível de juros tem impacto direto em quem financia imóvel, compra carro parcelado ou mantém dívida no cartão de crédito. Para empresas, o custo do capital mais alto inibe investimentos e contratações, o que explica em parte por que o crescimento econômico projetado para o ano é modesto. As projeções do mercado financeiro apontam crescimento do PIB de 1,8% em 2026, mesmo percentual estimado para 2027. São números que mantêm a economia funcionando, mas longe de um ritmo capaz de resolver estruturalmente problemas como desemprego e desigualdade. Agência Brasil
Câmbio estável, mas vulnerável
Um dos pontos positivos do cenário atual é a relativa estabilidade do dólar. O mercado financeiro projeta que o dólar fechará 2026 com cotação de R$ 5,50, valor que não vem apresentando alterações por 12 semanas consecutivas. Essa estabilidade ajuda a conter a inflação importada, especialmente nos combustíveis e nos produtos industrializados que dependem de insumos externos. Agência Brasil
Contudo, o câmbio brasileiro é historicamente volátil e sensível a fatores externos, como tensões geopolíticas, oscilações no preço do petróleo e mudanças na política monetária dos Estados Unidos. Qualquer deterioração do ambiente externo pode desfazer rapidamente esse equilíbrio. O Brasil depende de exportações de commodities para sustentar o superávit comercial e, com isso, manter o real em patamares razoáveis. O agronegócio, nesse sentido, continua sendo o grande âncora da balança de pagamentos.
O que o consumidor pode esperar
Para quem planeja compras de maior valor, contratar financiamentos ou renegociar dívidas, o cenário atual exige cautela. A inflação deve continuar pressionada, especialmente pelos combustíveis. Para 2026, a projeção é que o IPCA feche em 4,89%, puxado pela alta do preço do petróleo, que influencia diretamente o valor dos combustíveis. Isso coloca a inflação levemente acima do teto da meta estabelecida pelo Banco Central, que é de 4,5%. Meu Bolso em Dia
A boa notícia é que a tendência dos juros é de queda nos próximos anos. Quem puder adiar financiamentos para 2027 ou 2028, quando a Selic deve estar mais baixa, terá condições de crédito mais favoráveis. Para o dia a dia, a recomendação de especialistas em finanças pessoais é manter controle de gastos, evitar dívidas de curto prazo com juros altos e, sempre que possível, antecipar compras de produtos com preços sujeitos a reajuste previsível.
Fontes: Agência Brasil | Agência Brasil | Investidor10
Autor: Diego Rodríguez Velázquez
